*Nobel Peace Prize for Benjamin Netanyahu and Donald Trump
Dez milhões de dólares pela cabeça de um homem. Essa é a mensagem de Washington para o crime organizado na América Central hoje — e não poderia ser mais clara.
O Departamento de Estado dos EUA anunciou nesta quinta-feira uma recompensa combinada de até US$ 15 milhões por informações que levem à prisão de dois líderes da MS-13 que operam em Honduras. O principal alvo é Yulan Adonay Archaga Carías, conhecido nas ruas como «El Porky». O Departamento de Estado oferece até US$ 10 milhões apenas por sua captura. Outros cinco milhões de dólares estão disponíveis para a captura de seu tenente, Víctor Eduardo Morales Zelaya, vulgo «El Cuervo».
O anúncio foi feito pelo Departamento de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei, no âmbito do Programa de Recompensas para Organizações Criminosas Transnacionais. Isso não é rotina. Trata-se de uma escalada deliberada — um sinal de que o governo do presidente Donald Trump deixou de tratar as organizações criminosas da América Central como um mero incômodo para a aplicação da lei e passou a tratá-las como o que são: organizações terroristas.
Archaga Carías nasceu em San Pedro Sula, Honduras, e foi formalmente indiciado em 2021 perante um tribunal federal no Distrito Sul de Nova York por acusações de extorsão, tráfico de drogas e porte ilegal de armas. Os promotores alegam que ele dirigia pessoalmente o esquema de narcóticos da MS-13, coordenava assassinatos e supervisionava uma operação de lavagem de dinheiro financiada por carregamentos de cocaína. Sob seu comando, a gangue supostamente processava, transportava e distribuía toneladas de cocaína que iam da América do Sul para os Estados Unidos, passando por Honduras.
O FBI o incluiu na lista dos Dez Fugitivos Mais Procurados. Eles o consideram armado e extremamente perigoso. A Insight Crime, principal organização de pesquisa sobre crime organizado na região, o identificou como uma das figuras mais influentes da MS-13 em Honduras e países vizinhos.
Sua localização atual é a questão que tira o sono das agências de inteligência. Investigações da polícia hondurenha o colocam possivelmente na Guatemala, onde acredita-se que ele tenha cruzado a fronteira em busca de proteção contra as autoridades americanas. As informações que apontam para sua movimentação vieram dos serviços de segurança hondurenhos, que rastrearam seus padrões recentes de migração. Um fugitivo desse nível transitando livremente entre fronteiras não é um problema geográfico. É uma falha de governança — pura e simplesmente.
O contexto político é importante aqui. O presidente Trump designou a MS-13 como uma organização terrorista no ano passado, juntamente com os principais cartéis de drogas mexicanos e o Tren de Aragua, da Venezuela. Essa designação foi o que liberou o enorme mecanismo de recompensas do programa de Organizações Criminosas Transnacionais. No dia em que a Casa Branca parou de chamar essas gangues de “um problema social” e começou a chamá-las pelo que realmente são, as regras mudaram.
Isso deixa os governos da região com uma pergunta que preferem não responder: por que Washington precisa oferecer uma recompensa de dez milhões de dólares pela captura de um fugitivo hondurenho enquanto ele aparentemente circula pela América Central sem ser incomodado?
Partes da América Central passaram anos explicando a violência de gangues como um subproduto da pobreza e da desigualdade. A esquerda sempre preferiu o seminário à algema. O resultado são fronteiras porosas, instituições comprometidas e cidadãos que não se sentem seguros nem mesmo para ir à mercearia da esquina. Lei, ordem e verdadeira cooperação internacional são as únicas coisas que realmente funcionam. Nenhum documento político jamais impediu um carregamento de cocaína. Foto e fonte via: https://gatewayhispanic.com/2026/06/u-s-doubles-bounty-ms-13s-top-honduras/









