O declínio industrial da Alemanha está se acelerando, com mais de 341.000 empregos na indústria manufatureira desaparecendo desde 2019, e líderes do setor alertando que outros 300.000 postos de trabalho podem estar em risco em breve, à medida que a maior economia da Europa enfrenta dificuldades com o aumento dos custos, a redução da competitividade e a intensificação da concorrência global.
Os dados mais recentes, divulgados pela Remix News, reacenderam as preocupações de que a Alemanha esteja passando por algo muito mais sério do que uma desaceleração temporária — e que parece cada vez mais se tornar permanente. Empregadores, economistas e grupos empresariais alertam cada vez mais que o modelo industrial do país — há muito considerado o motor da prosperidade europeia — enfrenta desafios estruturais sem solução fácil à vista.
Fundamental para esses desenvolvimentos recentes é, naturalmente, o setor manufatureiro, que continua sendo a espinha dorsal da economia alemã. Ao contrário de muitos países ocidentais que dependem fortemente das finanças ou dos serviços, a prosperidade da Alemanha sempre dependeu da exportação de automóveis, máquinas, produtos químicos, equipamentos elétricos e outros bens industriais para todo o mundo.
Esses setores estão sob crescente pressão — e já estão assim há algum tempo.
Segundo a associação industrial Gesamtmetall, o emprego nos setores metalúrgico e elétrico da Alemanha caiu para cerca de 3,8 milhões de trabalhadores após anos de declínio constante. O grupo alerta que as tendências atuais podem resultar no desaparecimento de centenas de milhares de empregos.
“Corremos o risco de perder mais 300 mil empregos”, alertou Udo Dinglreiter, presidente da Gesamtmetall. Tal declínio levaria o emprego em setores industriais chave a alguns dos níveis mais baixos desde a reunificação alemã.
O alerta surge em meio a crescentes críticas ao governo liberal-centrista do chanceler Friedrich Merz, que enfrenta pressão cada vez maior para reverter a trajetória econômica do país e pôr fim às ondas intermináveis de imigração em massa do terceiro mundo que a Alemanha vem sofrendo há mais de uma década. Líderes empresariais argumentam que as reformas prometidas têm demorado a se concretizar, enquanto o investimento e a produção continuam fluindo para outros lugares.







