O pronunciamento do presidente Lula sobre a crise no Supremo foi motivado pelo impacto que o desgaste na Corte tem causado em sua campanha à reeleição.
A preocupação é especialmente com a associação de sua imagem à de Alexandre de Moraes. O núcleo da campanha chegou a encomendar pesquisas qualitativas para medir a percepção do eleitorado sobre o episódio e avaliar seus possíveis efeitos eleitorais.
Diante disso, em conversas com ministros do Supremo, Lula surpreendeu ao pedir argumentos para defender a Corte. Ouviu como resposta que precisa ter cuidado com discursos críticos, uma vez que o governo precisa da Corte, especialmente para questionar decisões do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Também ouviu que o STF tem 130 anos de história, já atravessou diversas crises e tem condições de se defender sozinho sem precisar dever nada a ninguém.
Nesta sexta-feira (4/9), como revelou o Metrópoles, na coluna de Igor Gadelha, Lula se reuniu com o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. A coluna apurou que surgiu uma sugestão para que Fachin avoque o trecho do caso Master que envolve Moraes, retirando esse braço da investigação da relatoria de André Mendonça como forma de tentar acalmar a crise na Corte. Auxiliares de Mendonça não consideram a ideia ruim.
A proposta tem apoio entre ministros do Supremo, mas a concordância vai até a página dois. Pelas regras da Corte, a definição de novo relator deve obedecer aos critérios regimentais de distribuição, sem que o presidente possa simplesmente escolher quem ficará responsável pelo inquérito.
Se a sugestão for seguida, o inquérito do Master terá seu terceiro relator. O primeiro foi o ministro Dias Toffoli, obrigado pelos colegas a deixar a relatoria após a revelação de que recebeu dinheiro de Daniel Vorcaro. Mendonça assumiu o caso em substituição a Toffoli.
O entendimento é que a permanência de Mendonça na relatoria significa a continuidade da crise que o confronta com o colega Alexandre de Moraes.
Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal que expõe conversas de Moraes com Vorcaro, incluindo uma consulta sobre deixar o país na iminência de um pedido de prisão e um suposto repasse de informações sobre o andamento das investigações.
Moraes, por sua vez, pediu a investigação de Mendonça sob a alegação de que o ministro teria, em tese, praticado uma série de condutas, como improbidade administrativa, crime de responsabilidade e abuso de autoridade, além de quebra da imparcialidade judicial e favorecimento a determinados grupos políticos.








