O parlamento cubano aprovou por unanimidade um pacote de reformas econômicas que representa o afastamento mais significativo do país de seu modelo econômico socialista desde a Revolução de 1959 liderada por Fidel Castro.
Apoiadas pelo Partido Comunista e pelo ex-líder Raúl Castro, as reformas abrem caminho para a expansão da privatização, da banca privada, do desenvolvimento imobiliário privado e do crescimento de empresas privadas, enquanto a ilha enfrenta uma grave crise econômica agravada pelas sanções dos EUA.
O primeiro-ministro Manuel Marrero apresentou as medidas aos parlamentares.
As principais disposições incluem:
Privatização e comercialização: Empresas estatais selecionadas serão convertidas em empresas comerciais com ações, permitindo o investimento em capital próprio e concedendo-lhes maior autonomia operacional.
Desenvolvimento imobiliário privado: As reformas ampliam as oportunidades para atividades imobiliárias privadas, indo além das limitadas reformas imobiliárias anteriores. Os cubanos — incluindo, em alguns casos, aqueles que vivem no exterior — poderão adquirir propriedades estatais caso a caso e desenvolver projetos em áreas com alto potencial turístico.
Investimento privado no setor bancário: Cuba abrirá seu setor bancário, anteriormente controlado pelo Estado, ao investimento privado e, pela primeira vez, permitirá que indivíduos e empresas mantenham contas em moeda estrangeira.
Expansão das empresas privadas: As restrições às empresas privadas serão flexibilizadas, permitindo operações maiores, incluindo empresas com mais de 100 funcionários e propriedade de múltiplas empresas. Outros setores também serão abertos ao investimento privado e estrangeiro.
Descentralização e mecanismos de mercado: os governos municipais e as empresas estatais receberão maior autonomia, enquanto novas medidas visam atrair investimento estrangeiro e revitalizar setores-chave como a agricultura e o comércio exterior.
As reformas inspiram-se nos modelos econômicos da China e do Vietnã, buscando combinar políticas orientadas para o mercado com a manutenção do controle político socialista.
Contexto e Motivação
Cuba atravessa a pior crise econômica em décadas, marcada pela escassez de alimentos, combustível e medicamentos, frequentes cortes de energia e queda na produtividade. As autoridades cubanas atribuem a situação às rígidas sanções americanas e ao que descrevem como um “bloqueio do petróleo”, embora problemas estruturais de longa data na economia planificada centralmente também tenham desempenhado um papel significativo.
As reformas são apresentadas como um esforço pragmático para preservar o sistema político e econômico do país, em vez de abandoná-lo.
Líderes do Partido Comunista, incluindo Raúl Castro, teriam defendido um papel maior para os mecanismos de mercado a fim de melhorar a eficiência, atrair investimentos — inclusive da diáspora cubana — e aliviar as dificuldades diárias enfrentadas pelos cidadãos comuns.
O papel de Raúl Castro e a acusação nos EUA
As reformas contam com o apoio explícito de Raúl Castro, que sucedeu seu irmão Fidel e supervisionou as rodadas anteriores de liberalização econômica gradual durante a década de 2010, incluindo a expansão do trabalho autônomo e a venda limitada de imóveis.
O anúncio surge pouco depois de os Estados Unidos terem indiciado Raúl Castro em maio de 2026 pelo seu alegado envolvimento no abate, em 1996, de dois aviões civis operados pela organização Irmãos ao Resgate. O Departamento de Justiça dos EUA alega que Castro, que na altura era ministro da Defesa, esteve envolvido no incidente que matou quatro pessoas, incluindo três cidadãos americanos. Ele enfrenta acusações que incluem homicídio, conspiração e destruição de aeronaves. Cuba defende há muito tempo a ação como uma resposta a repetidas provocações.
Contexto histórico e perspectivas
Cuba já implementou reformas econômicas graduais anteriormente. A “atualização” do modelo econômico promovida por Raúl Castro na década de 2010 legalizou pequenas empresas privadas, permitiu a venda limitada de propriedades e expandiu o investimento estrangeiro. No entanto, o pacote atual é amplamente considerado muito mais abrangente.
Entre os marcos anteriores, incluem-se o reconhecimento da propriedade privada na Constituição de 2019 e a legalização das micro, pequenas e médias empresas (MPMEs).
A implementação será crucial. Reformas anteriores foram dificultadas pela resistência burocrática, altos impostos e barreiras regulatórias. Muitos analistas consideram o novo pacote um esforço de alto risco que pode remodelar a economia cubana e, ao mesmo tempo, ajudar a garantir a sobrevivência do governo.
Se implementadas com sucesso, as reformas podem ajudar a reduzir a escassez e estimular o crescimento econômico. No entanto, grandes desafios persistem, incluindo as sanções dos EUA, a infraestrutura obsoleta e o esforço do governo para equilibrar uma maior abertura econômica com a manutenção do controle político.
Se essas medidas trarão melhorias significativas para a vida dos cubanos comuns — como muitos ainda duvidam — ou simplesmente estabilizarão o sistema político existente, provavelmente ficará claro nos próximos anos.
As reformas sinalizam uma evolução significativa na estratégia econômica de Cuba e podem remodelar o futuro da ilha, à medida que ela enfrenta pressões externas e desafios internos. Foto ilustrativa chatgpt. Fonte: https://gatewayhispanic.com/2026/06/cuba-approves-major-economic-reforms-expanding-private-sector/








