Produtores de cacau de diferentes regiões do Brasil têm se mobilizado contra a importação de amêndoas de cacau, especialmente da Costa do Marfim, em um momento de queda nos preços internacionais da commodity. O setor alerta para riscos sanitários, concorrência desleal e impactos econômicos que já estariam comprometendo a sustentabilidade da cacauicultura nacional.
As manifestações tiveram início no último fim de semana e, no Espírito Santo, está prevista uma mobilização em Linhares no dia 7 de fevereiro. O movimento é liderado por produtores e pela Associação dos Cacauicultores do Espírito Santo (Acau), que defende a revogação da Instrução Normativa nº 125 (IN 125), publicada pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) em 2021, que flexibiliza exigências fitossanitárias para a importação de amêndoas de cacau.
Emir de Macego Gomes (foto acima), de Linhares, no Norte Capixaba, é uma das maiores referências do setor no Brasil.
Entre as principais reivindicações do setor estão a falta de regras claras para a formação de preços e garantia de remuneração justa ao produtor; a revogação da IN 125; a criação de uma “janela de importação”, permitindo a entrada de amêndoas apenas no período de entressafra, entre junho e julho; e a restrição à importação de cacau proveniente de países associados ao trabalho escravo, trabalho infantil e desmatamento.
A presidente da Acau, Kellen Scampini, explica que a mobilização busca abrir diálogo e chamar a atenção das autoridades para a gravidade da situação enfrentada pelo setor.
“Essa manifestação pacífica tem o objetivo de alertar as autoridades nacionais sobre a necessidade urgente de políticas públicas voltadas à cacauicultura. Não se trata de uma solução imediata, porque envolve questões internacionais e regionais, mas precisamos nos organizar e agir para minimizar os impactos. A indústria é necessária, mas hoje não existe diálogo comercial com o produtor”, afirma.
Foto: Ilustrativa ..Fonte: https://www.folhavitoria.com.br/folha-business/produtores-de-cacau-se-mobilizam-em-linhares-contra-avanco-das-importacoes-de-amendoas-africanas/








