Publicado pela Coluna de Abdo Filho, de A Gazeta do ES
Nos primeiros meses de 2026, as exportações bateram em 4% do total, o menor nível dos últimos vinte anos. Em 2006, por exemplo, os norte-americanos compraram 26% de tudo o que foi exportado pelo Estado.
Os Estados Unidos, que sempre foram protagonistas na compra do café produzido no Espírito Santo, vêm perdendo protagonismo nos últimos anos. Nos primeiros meses de 2026, as exportações para lá bateram em 4% do total, o menor nível dos últimos vinte anos. Em 2006, por exemplo, os norte-americanos compraram 26% de tudo o que foi exportado pelo Estado. Em 2015, chegaram a bater em 31%. De lá para cá, uma queda muito forte. Aliás, que muito pouco tem a ver com as tarifas impostas (e já retiradas), no ano passado, pelo governo da maior economia e maior comprador de café do planeta.
De acordo com o Centro do Comércio de Café de Vitória, entidade que reúne os exportadores do Espírito Santo, dois eventos climáticos severos ocorridos no Brasil – a seca de 2016 e 2017, no Espírito Santo, e a geada de 2021, em Minas Gerais – afetaram duramente a produção desses períodos e, consequentemente, as exportações para os Estados Unidos.
“Entre 2006 e 2015, os Estados Unidos foram os maiores compradores do café capixaba. A queda da participação tem relação com os anos de 2016 e 2017, quando, por conta da crise hídrica que afetou a produção capixaba, o conilon perdeu espaço naquele mercado para outras origens produtoras. Isso foi agravado pela geada no Sul de Minas, em 2021/2022, que redirecionou nosso conilon para o mercado interno. De lá pra cá, os EUA não voltaram, de maneira consistente, a ser o primeiro destino de nossas exportações”, explicou o Palácio do Café.
A entidade também atribui a queda à ausência de linhas de navegação direta, a partir do Porto de Vitória, com destino aos Estados Unidos. “Principalmente nos volumes exportados de café arábica e, nos últimos anos, de café solúvel, que foram redirecionados para embarque no Rio de Janeiro ou em Santos”.
Sobre a influência do tarifaço nessa queda, o maior impacto se deu no café solúvel. O Espírito Santo tem um dos maiores parques industriais do Brasil. O solúvel foi um dos últimos itens da pauta brasileira a se ver livre das tarifas americanas, em fevereiro de 2026, quando a Suprema Corte dos EUA derrubou a decisão do presidente Donald Trump. Em 2024, foram 206 mil sacas de solúvel. Em 2025, 146 mil, queda de 29,6%. Em 2026, até 20 de maio, foram exportadas 38 mil sacas.
Como bem disse um empresário do setor: “perder mercado é fácil…”. Foto: Puxabay. Fonte: https://www.agazeta.com.br/colunas/abdo-filho/eua-perdem-protagonismo-nas-exportacoes-de-cafe-do-es-0626







