O preço do cacau subiu US$ 287 em um único dia na segunda-feira, 4 de maio, fechando a US$ 3.883 por tonelada na bolsa internacional, o maior valor desde fevereiro. O gatilho foi climático: a Costa do Marfim, maior produtora mundial da amêndoa, registrou chuvas irregulares num período crítico para a formação dos frutos da safra intermediária (ciclo de março a agosto, menor que a principal, mas relevante para o abastecimento entre colheitas).
A alta surpreende pelo contexto. Em 2024, o cacau chegou a US$ 12,5 mil por tonelada, recorde histórico. Ao longo de 2025 e início de 2026, o preço despencou e tocou próximo a US$ 3.400 em abril. O mercado respirava aliviado com projeções de superávit global, mas as chuvas irregulares colocaram essas estimativas em xeque.
A Costa do Marfim responde por cerca de 40% da produção mundial. Junto com Gana, os dois países concentram mais de 60% de tudo que o mundo produz da amêndoa. Problemas na janela intermediária reacendem a preocupação com oferta num momento em que o mercado já monitorava outros riscos: escassez de fertilizantes em regiões produtoras africanas e a probabilidade crescente do El Niño para a safra 2026/27, que tende a trazer condições mais secas ao continente.
A reação foi imediata. O contrato de julho atingiu máxima de US$ 3.940 durante a sessão, e o mercado já trabalha com zonas de resistência entre US$ 4.200 e US$ 4.400 por tonelada. As duas principais consultorias do setor projetavam superávit global para a safra 2025/26, mas com sinais divergentes na magnitude: a StoneX estimava 287 mil toneladas excedentes; a Hedgepoint, 365 mil toneladas. Os dois números apontavam para o mesmo diagnóstico de equilíbrio no curto prazo. A irregularidade climática na Costa do Marfim começa a questionar as duas projeções.
O Brasil no centro
Toda vez que a África Ocidental tropeça, o mercado procura alternativas. O Brasil é o quinto maior produtor mundial de cacau e vive expansão consistente. O Equador, segundo maior produtor global, exportou 568 mil toneladas no ano-safra 2024/25, crescimento superior a 35%. Brasil e Equador são os dois grandes fornecedores fora do eixo africano e acumulam credibilidade como opção quando a oferta do continente enfrenta dificuldades.
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