Com guerras e conflitos, gastos militares no mundo em 2023 foram os maiores desde a Segunda Guerra; tendência é de novo recorde em 2024 pixabay
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Com guerras e conflitos, gastos militares no mundo em 2023 foram os maiores desde a Segunda Guerra; tendência é de novo recorde em 2024

 

 

 

 

 

 

   

 

 

 

Relatório anual de think tank do Reino Unido indicou que mundo teve o maior gasto em Defesa desde a Segunda Guerra Mundial. Aumento foi impulsionado por Otan. EUA, sozinho, foram responsáveis por 41% de toda a despesa militar mundial. Rússia gastou um terço de seu orçamento.

Guerra na Ucrânia prolongada por mais um ano, Guerra em Gaza estendida pelo Oriente Médio, aumento de testes nucleares na Coreia do Norte, mais manobras militares de Pequim em Taiwan, golpes de Estado no norte da África, conflito no Azerbaijão e tensão entre vizinhos na América do Sul.

A quantidade de guerras e crises entre países em andamento em 2023 levou o mundo a ter gastos militares só comparáveis aos da Segunda Guerra Mundial, de acordo com um estudo Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS).

O relatório, que levanta anualmente quanto cada país gastou na área, apontou um recorde de US$ 2,2 bilhões (cerca de R$ 10, 9 bilhões) em gastos mundiais na área de Defesa em 2023, um aumento de 9% na comparação com 2022. E indica que essa marca deve ser batida em 2024, tomando como base os recursos já reservados para orçamentos de vários países este ano.

O número sem precedentes na história moderna mundial foi impulsionado, principalmente, pelo aumento dos orçamentos dos países que integram a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), diante do temor de um conflito com a Rússia, atualmente em guerra com um vizinho de membros da aliança militar ocidental.

A Otan determina que, caso um país membro seja invadido, todos os outros devem defendê-lo. Os Estados Unidos, que tornaram-se o principal patrocinador da Ucrânia na guerra contra a Rússia e já aprovaram pacotes de ajudas bilionárias a Israel na luta contra o Hamas, respondem sozinhos por quase metade de todos os gastos militares no mundo.

 De acordo com o levantamento do IISS, Washington gastou o equivalente a 41% de todo o orçamento militar do mundo em 2023. E a chance de um enfrentamento com a Rússia fez também os outros membros da Otan aumentaram, em média, seus orçamentos em 32%, diante do ano anterior.

Já os gastos militares da Rússia não são divulgados pelo governo, mas o relatório do instituto britânico estimou que o país tenha usado um terço de todo o seu orçamento de 2023 na guerra que mantém na Ucrânia.

O estudo destaca ainda um crescimento de gastos em Defesa acima da media em países como Índia e China.

‘Nova Guerra Fria’

Para além das guerras pontuais, os gastos sem precedentes na história moderna do país refletem também as mudanças no cenário geopolítico que o mundo vem sofrendo desde o início da guerra na Ucrânia, de acordo com o professor de relações internacional da Universidade Federal Fluminense (UFF) Vitelio Brustolin, também professor adjunto na Universidade de Columbia (EUA) e pesquisador da faculdade de Direito de Harvard.

 “Isso é o reflexo da transformação geopolítica que nós vivemos, as maiores desde a dissolução da União Soviética”, disse Brutolin à GloboNews. “É um momento que, na academia, tem sido chamado de Guerra Fria 2.0, ou Nova Guerra Fria”.

O primeiro deles foi quando a Finlândia, que compartilha 1.300 quilômetros de fronteira com território russo, e a Suécia decidiram abandonar o princípio de neutralidade que adotavam e solicitaram entrada com urgência na Otan.

O mundo também viu de volta ameaças de conflito entre os EUA e a Rússia, ex-União Soviética, repetindo o contexto da Guerra Fria.

Mas o prolongamento da guerra na Ucrânia, prestas a completar dois anos, e o início da guerra entre Israel e Hamas remodelaram as configurações de disputa de poder para um cenário multipolar: atores como o Irã, a Coreia do Norte e a China começaram a reivindicar protagonismo.

E os orçamentos, disse o estudo do IISS, indicaram isso. A Índia, pela primeira vez, gastou mais do que o Reino Unido, de quem é ex-colônia. “Isso demonstra também o contexto geopolítico na região do Mar do Sul da China”, afirmou o professor Vitelio Brustolin.

“Os nossos novos dados mostram como os países estão remodelando seus planos de equipamento e despesas e como os seus laços regionais estão mudando de acordo com a realidade geopolítica”, diz o relatório.

O estudo também mostrou preocupação com outros conflitos e pontos de tensões, como:

  • A busca por armas nucleares pela Coreia do Norte;
  • A ascensão de regimes militares na região do Sahel, na África;
  • As tensões entre a Venezuela e a Guiana por conta da reivindicação de Caracas sobre Essequibo, região que representa mais de 70% do território guianense.
  • aumento de manobras militares feitas pelo Exército chinês perto de Taiwan, a ilha que o país reivindica como sua. No relatório, os pesquisadores do IISS apontam que este é um dos momentos mais perigosos do mundo desde a Segunda Guerra Mundial, mas também indica a possibilidade de alianças para neutralizar essas ameaças.
  • “A atual situação de segurança militar anuncia o que será provavelmente uma década mais perigosa, caracterizada pelo aumento desmedido do poder militar, mas, também, laços de defesa bilaterais e multilaterais mais fortes em resposta”, disse o relatório.

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