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Zé do pedal, o aventureiro ambiental lenda viva do Rio Doce

O mineiro de Guaraciaba, José Geraldo de Souza Castro, 61, realiza, há 35 anos, inusitadas aventuras ao redor do mundo.

A história do Zé do Pedal começa em novembro de 1981, quando decidiu viajar do Brasil à Espanha.

Na tarde de  5 de novembro último, às 15h20min, o próximo projeto de José Geraldo de Souza Castro, o Zé do Pedal, “Da Montanha ao Mar um Rio de Esperança” teve  a marca de seu lançamento em Viçosa, no local conhecido como “Encontro”, no Bairro Barrinha,  com o plantio de  mudas de Ipês, ato que norteará toda a campanha. A escolha do local é bem simbólica, uma vez que ali se encontram o ribeirão São Bartolomeu e o rio Turvo Sujo (mais adiante, em Duas Barras, o manancial é fortalecido pelo rio Turvo Limpo e segue até o rio Piranga, principal formador do rio Doce).

O horário do lançamento tem um motivo muito especial. Foi exatamente àquela hora, do dia 5 de novembro de 2015, que a barragem de Fundão, na histórica Mariana, se rompeu, jogando milhares de metros cúbicos de dejetos de mineração destruindo tudo que encontrava à sua frente e levando por água abaixo, no seu rastro de destruição, muitos sonhos, além da vida de 19 pessoas, moradoras do distrito de Bento Rodrigues.

Foram plantadas, em parceria com o departamento de parques e jardins da Prefeitura Municipal de Viçosa, 19 mudas de Ipê Amarelo, símbolo da campanha.

O início da jornada, que consiste na plantação de 1.300 mudas de Ipê ao longo das margens do Rio Doce, a partir do Ribeirão do Carmo até a foz,  no município de Regência, será dia 22 de março do ano vindouro. O Ativista fará todo o percurso de 623 quilômetros em um pedalinho cisne: “Será uma muda de Ipê Amarelo para cada dia do rompimento da barragem. Nas cidades e comunidades afetadas pela lama, serão plantados Ipês brancos, com a participação de crianças da Rede de Ensino, simbolizando a vida renascendo da lama”, ressaltou.

Devido à falta de navegabilidade do Ribeirão do Carmo entre Bento Rodrigues e Barra Longa, a primeira etapa do projeto será em bicicleta. O ativista sairá de Bento Rodrigues rumo a Biquinha, Paracatu de Baixo, chegando a Barra Longa de onde começará o roteiro com o pedalinho Cisne.

O ativista informou que o projeto é um apelo à sociedade para que tome atitudes positivas visando a recuperação das matas de topo e ciliar do Rio Doce, atingida pelo rompimento da barragem de Fundão. “Não é um protesto. É um ato de amor pelo Rio Doce. Já se passaram 3 anos de um dos maiores desastres ambientais na história do nosso país e até hoje são contadas as ações positivas a favor do rio e das famílias atingidas pelo rompimento daquela barragem”. Disse Zé do Pedal . Atualmente, com o apoio do COOPSOBERBO, Posto do Beto, Autopeças Bicalho, Ipê Fibras, Elaine Fontes, Daniel Lopes e ribeirinhos, o ativista está fazendo o levantamento da geografia do rio, principalmente localizando cachoeiras e corredeiras ao longo dos 623km do percurso do rio.

Com apoio do Lions Club, mas sem patrocinadores, a jornada será financiada com patrocínios e apoio popular. “Qualquer pessoa pode patrocinar o plantio uma muda, que será plantada, em seu nome, durante a execução do projeto”. Concluiu o ativista.

SOBRE ZÉ DO PEDAL – 145.000km de pedaladas ao redor do mundo. Fotógrafo, técnico em turismo, ativista social, ambientalista e ciclista, o mineiro de Guaraciaba, José Geraldo de Souza Castro, 61, realiza, há 35 anos, inusitadas aventuras ao redor do mundo.

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A história do Zé do Pedal começa em novembro de 1981, quando decidiu viajar do Brasil à Espanha, em bicicleta, para assistir a copa do mundo de futebol “Espanha ‘82”, onde a Seleção brasileira, igual que em Joanesburgo, não teve lá muita sorte. E em uma tarde gris, na cidade de Barcelona, o Brasil caia aos pés da Itália, dando adeus ao sonho do Tetracampeonato. A bordo do transatlântico que o levou de volta ao Rio de Janeiro, Zé do Pedal foi sonhando com uma volta ao mundo em bicicleta. Pronto, a partir dai, não parou mais. Daquele longínquo novembro até hoje, visitou 74 paises em cinco Continentes, percorreu 145.000km a “base de pedaladas”, assistiu a três copas do mundo de futebol, passou por quatro guerras civis, enfrentou chuvas monzonicas, terremotos, sobreviveu a cinco furacões. venceu uma maratona, em Lima, Peru. Visitou ilhas paradisíacas e conheceu os sofrimentos de crianças e adultos em campos de refugiados da guerra do Vietnam. Uma guerra absurda, que ao final só deixou destruição e morte.

Conheceu a seca, a fome e a miséria dos povos da África e do povo nordestino. Viu sorrisos de crianças brincando as margens do “Velho Chico” e lágrimas nos olhos do barranqueiro ao ver o leito do rio quase seco. Visitou lugares que marcaram a historia, como: Torres Gêmeas, Pirâmides do Egito, Partenon de Atenas, Torre Eiffel, Taj Mahal, a ponte sobre o Rio Kwai-Ai, Torre de Pisa, e tantos outros. Enfim, suas viagens foram grandes aulas de geografia, historia e, principalmente, uma aula de vida. As viagens, e os principais projetos sociais, do Zé do Pedal:

Ø 1981/1982- De bicicleta até a Copa do Mundo  – Saindo do Rio de Janeiro, ele atravessou a América do Sul, voou até a Inglaterra e foi pedalando pela Europa até a Espanha. Minutos antes da chegada dos jogadores para a Copa de 1982, chegou de bicicleta em frente à concentração da seleção brasileira. Este fato chamou a atenção de jornalistas do mundo inteiro, fazendo-o ganhar notoriedade no Brasil. Foi neste momento que ele recebeu o apelido de Zé do Pedal.

Ø 1983/1986 – Volta ao mundo de bicicleta  – Logo que retornou da Espanha, decidiu dar a volta ao mundo de bicicleta. Nesta viagem, divulgou uma campanha de Combate ao Câncer nos 54 países pelos quais pedalou. O fim da aventura se deu no México, onde novamente assistiu a uma copa do mundo de futebol.

Ø 1985- Japão em um velocípede – Durante a “Volta ao Mundo”, decidiu cruzar o Japão em um velocípede infantil, enquanto chamava a atenção da mídia para a condição das crianças na Etiópia.

Ø 1987- De Chuí a Brasília em um velocípede  – Após conhecer o mundo, Zé decidiu viajar pelo Brasil. Optou, novamente, pelo velocípede, e cruzou o Brasil para pedir aos políticos ajuda para as crianças do nordeste.

Ø 1996 – América do Sul em uma motocicleta  – Em uma motocicleta, percorreu 8 países da América do Sul: Equador, Peru, Chile, Argentina, Uruguai, Brasil, Paraguai e Bolívia.

Ø 2002- Pedalando no Velho Chico  – Depois de 12 anos morando no Equador, voltou ao Brasil e retomou sua vida de aventureiro do pedal. Viajou por todo o Rio São Francisco, em um barco tipo pedalinho, de Três Marias (MG) até Aracaju (SE). Nesta viagem, procurou chamar a atenção do país para a poluição do Rio São Francisco.

Ø 2004/2005- Da Liberdade ao Cristo – Saindo da estátua da liberdade, em Nova Iorque, Zé tinha o objetivo de chegar ao Rio de Janeiro, percorrendo a costa litorânea das Américas em um barco a pedal. Nesta aventura, buscava alertar a comunidade internacional para a poluição das águas do planeta. Entretanto, na cidade de Dzilam de Bravo, no México, 18 meses depois da partida, sua embarcação sofreu danos irreparáveis ao enfrentar o furacão Rita, impedindo o término da viagem. Dos 23 mil quilômetros programados, pedalou cerca de 10 mil.

Ø 2007- Zé do Pedal 50 anos – Na comemoração de seus 50 anos, construiu uma embarcação a pedal feita com garrafas pet, um quadro de bicicleta encontrado em um lixão e algumas barras de aço. Com ela, realizou uma inusitada travessia da Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro, para chamar a atenção para a poluição das águas e a importância do Protocolo de Kyoto.

Ø 2008/2010 – Extreme World  – Em um kart a pedal, viajou da França até a África do Sul. Nesta aventura, de cerca de 17 mil quilômetros, divulgou uma campanha internacional de combate ao Glaucoma e à Catarata em países pobres.

Ø 2014/2015 – Cruzada pela Acessibilidade (Extremas Fronteiras Barreiras Extremas – Caminhando, e empurrando uma cadeira de rodas percorreu 10.700kms, saindo de Uiramutã, fronteira norte com a Venezuela, no estado de Roraima, até o município de Chuí, no Rio grande do Sul, passando por aproximadamente 430 cidades de 20 estados, chamando a atenção da população sobre um dos principais problemas que afeta a pessoa com deficiência: as barreiras arquitetônicas. Durante a caminhada distribuiu nas Câmaras e Prefeituras dos Municípios visitados proposta de projeto lei de criação do Concelho Municipal dos Direitos da Pessoa com Deficiência.

Ø 2018/2019 -Da Montanha ao Mar, Um Rio de Esperança – Em um pedalinho Cisne, saindo de Bento Rodrigues, no município de Mariana, percorrerá o leito do Rio Doce até sua Foz, no município de Regência no Espírito Santo. O projeto é um apelo à sociedade para que tome atitudes positivas visando a recuperação da mata ciliar do Rio Doce, atingida pelo rompimento da barragem de Fundão. Durante o percurso o ativista irá plantando árvores a cada quilômetro às margens dos rios e nos municípios pelos quais passará.

 

 

 

 

 

 

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