Economia

ARROZ VÍDEO ARRASADOR – Veja como ficou uma das regiões que mais produziam arroz depois que se tornou reserva indígena; Dois mil garimpeiros buscam ouro na região

 

Sem fazendeiros, produção de arroz na Raposa/Serra do Sol retrocede a patamar de oito anos atrás.

05/05/2010

Autor: Felipe Bachtold

Fonte: Folha Online – http://www.folha.uol.com.br/

Um ano após a retirada total de proprietários rurais da terra indígena Raposa/Serra do Sol, em Roraima, a produção de arroz no Estado retrocedeu ao nível de oito anos atrás, de acordo com a Conab (órgão ligado ao Ministério da Agricultura).

Com o menor PIB do país, o Estado tinha no cultivo de arroz uma das três principais atividades econômicas privadas.

Um grupo de arrozeiros que permanecia dentro da área indígena liderou protestos contra a demarcação contínua da terra e foi defendido pelo governo estadual no Supremo Tribunal Federal. A Justiça, porém, determinou a retirada completa –que completou um ano no começo do mês– dos não índios da região.

Além da queda na produção de arroz, que passou de 127 mil toneladas na safra 2007/08 para 82 mil na atual, a terra indígena também convive com garimpos ilegais mantidos por índios e não índios.

Sem os arrozais, os indígenas sobrevivem com lavouras de subsistência, criação de gado e com programas sociais, de acordo com o CIR (Conselho Indígena de Roraima).

Os arrozeiros dizem que a área plantada encolheu pela metade e que as lavouras dentro da terra foram abandonadas. Como alternativa, os fazendeiros passaram a arrendar terrenos em outras regiões do Estado e reclamam que isso encareceu a produção.

O líder da categoria, Nelson Itikawa, diz que os não índios que trabalhavam nos arrozais estão sobrevivendo com bicos.

Para o governo de Roraima, a perda econômica foi “um baque”. “Lá a gente tinha produtividade muito alta. Outras áreas, até chegarem a isso, vão demorar”, diz o secretário do Planejamento, Haroldo Amoras.

Como forma de compensar Roraima, a União transferiu, em 2009, a posse de 6 milhões de hectares para o Estado.

Paulo César Quartiero, famoso por liderar protestos contra a terra indígena, diz que Roraima se tornou um Estado “sem produção, que vive de contracheque de Brasília”.

Sem produzir há um ano, o fazendeiro afirma que suas máquinas estão estragando. Ele diz ter demitido quase todos seus 200 funcionários e comprou terras no Pará, onde pretende voltar a plantar arroz.

Garimpos

Em operação em outubro de 2009, a Polícia Federal reprimiu uma série de garimpos ilegais instalados na Raposa. Para o superintendente da PF no Estado, Herbert Gasparini, “fatalmente” os garimpeiros se rearticulam e começam a prática.

De acordo com a polícia, os não índios se “consorciam” com indígenas nas ações.
Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitou a Raposa/Serra do Sol em comemoração ao Dia do Índio. Na ocasião, disse que o Estado tem “tanta terra ainda sem produzir” e “alguns queriam exatamente a terra” dos índios.

Falou que o governo federal quer que o Estado se desenvolva “sem tirar o direito de o índio viver tal como ele queira”. “Os índios estão muito felizes com a demarcação da Raposa.”

A Funai (Fundação Nacional do Índio) diz que depositou em juízo as indenizações devidas por benfeitorias construídas por fazendeiros na terra indígena. Mas afirma que Quartiero e Itikawa destruíram as instalações antes de abandonar a área e que, por isso, não têm direito aos benefícios.

Dois mil garimpeiros buscam ouro em Raposa Serra do Sol

Uma década depois da retirada definitiva dos arrozeiros, a Terra Indígena Raposa Serra do Sol, em, Roraima, volta a ser palco de conflitos, desta vez por causa do avanço da invasão garimpeira na região.

 Ponto de cobiça por seu subsolo rico em jazidas de ouro, diamante e minerais estratégicos, a TI de mais de 1,7 milhão de hectares em área contínua e cerca de 22 mil índios divididos em cinco etnias, vive o novo ciclo em meio a divergências internas entre as comunidades e entidades indigenistas.

“Vocês estão em cima de trilhões de reais. Não podem continuar sendo pobres em cima de uma terra rica”, disse o presidente numa live gravada com a presença da indígenas em seu gabinete no Palácio do Planalto em dezembro do ano passado. Nos últimos dois meses, alheios ao estímulo presidencial, a Polícia Federal (PF), apoiada pelo Exército, fez duas operações na região para conter a onda de invasões, prendeu indígenas, empresários de garimpo e apreendeu equipamentos usados na mineração de ouro.

Numa operação em Normandia, na região conhecida por Raposa, em meados de março, num garimpo a dez quilômetros da comunidade Napoleão, os policiais contaram cerca de 960 pessoas, divididas em 12 grupos, em plena atividade. Segundo a PF havia até uma divisão contabilizada sobre o ouro extraído: 24% ficava com os proprietários das máquinas usadas para processar o minério, 72% com os garimpeiros (indígenas e não indígenas) e apenas 4% dos lucros ficava com a comunidade. O mesmo sistema de divisão seria aplicado a outros garimpos detectados no município de Uiramutã, área da Serra do Sol, ao longo dos rios Maú e Cotingo e Kino, onde as atividades estariam a pleno vapor, mesmo com a pandemia do coronavírus avançando sobre territórios indígenas.

A PF não tem um levantamento fiel sobre o total de garimpeiros, mas estima que em cada um dos garimpos o número seja semelhante ao encontrado em Normandia, o que envolveria, por baixo, uma massa de cerca de dois mil garimpeiros em toda a TI Raposa Serra do Sol em busca de ouro.  Com informações de apublica.org (22/05/2020), Amazônia Sem lei  e  tempo&dinheiro. Foto de capa: Polícia Federal.

Vídeo: tempo&dinheiro canal youtube

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